Edward Hopper e a solidão

Fale sobre a sensação de se sentir sozinho e todos vão se lembrar de algum momento em que o vazio interno quase se materializou e se sentou ao seu lado; fale sobre a solidão e todos vão sentir algo por dentro lembrando desse dia.Tentamos tirar esse sentimento nos conectando toda hora e enchendo nossas redes sociais de amigos e embora nossa caixas de mensagem estejam cheias, nossos olhares continuam vazios.

Algumas pessoas cantam a solidão, outras escrevem, outras calam e algumas pintam, como Edward Hopper, que colocou sobre tela vários tipos de solidões no mundo moderno. O artista norte-americano pintou a solidão de uma forma espetacular, onde desde os seus personagens até os cenários estão sozinhos e não importa se as pessoas nas telas tem alguma companhia, Edward nos mostra que a solidão é algo interno que não depende de fato de um vazio físico ou a falta de alguém.

Tentar entender o tipo de solidão de cada história de um quadro de Hopper é como ler um livro, aos poucos a história vai aparecendo e ganhando mais vida. A seguir algumas interpretações

(Dica de musica para ouvir durante a leitura)

 

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Automat

Uma moça sozinha sentada em um café, atrás dela uma das noites mais escuras, uma escuridão que parece sair de suas costas e se espalhar pelos vidros.Um olhar fixo em sua xícara como se esperasse uma resposta da mesma, seu rosto demonstra desgosto. Ao seu lado uma referência a natureza morta que ajuda a entender o contexto da situação, e em sua frente uma cadeira vazia, uma mesa pra dois que acabou acomodando apenas um, uma solidão causada pela ausência de alguém.

 

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Morning Sun

A roupa cor de rosa que geralmente lembra a alegria está envolvendo um corpo retraído que olha a cidade com um poder observação intenso. A jovem parece lembrar de algum momento tão feliz quanto a cor de sua camisola que foi vivido a poucos metros dali, seus olhos parecem presos a uma memoria mas ela está tão atenta ao que acontece fora da de seu quarto porém suas mãos seguram o seu corpo a mantendo alí. Ao lado de sua janela um prédio com uma cor mais quente e cheio de janelas que abriga várias pessoas, mas dentro de seu quarto apenas ela e o tom frio azulado das paredes

 

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Nightwaks

Estar acompanhando não afasta nenhuma solidão interna, ainda mais em um horário onde apenas os que buscam companhia saem as ruas. O homem ao lado da mulher de vermelho tem traje quase idêntico ao do homem sentando sozinho, como se fosse a representação de sua alma: um corpo sem rosto andando pelos cafés de madrugada quando todos já foram para sua casa. A mulher também parece a parte da tela  suas cores se diferem de todo o resto, as únicas referências de vermelho é seu vestido e a parede do estabelecimento vazio, fechado e escuro. Quatro pessoas em um mesmo local e nenhum olhar se cruzando, quatro pessoas presas a sua solidão individual.

 

Olhar os quadros de Edwar chega a dar um sufocamento de tanto silêncio que se encontra neles, o meio urbano onde vive os personagens de Hopper parece não preencher tamanho vazio em seus corpos. Esses personagens vivem e nos identificamos com alguns, e ainda assim, olhar alguém passando por os mesmo vazios que nos assombram não conseguimos ainda afastar o fantasma da solidão.

-Leticia Ferreira

 

 

 

 

 

 

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