Essa inexplicavel insustentável leveza do ser

“Não. Seu drama não era do peso, mas da leveza.O  que se abatera sobre ela não era um fardo, mas a insustentável leveza do ser.”

O titulo do livro de Milan Kundera consegue definir o que talvez seja a maior angustia que todos sentem, muitas vezes sem nem saber como chama-la. Como lidar com a vida? Como lidar com essa insustentável leveza do ser?

Ao longo do livro nós acompanhamos quatro personagens tentando se equilibrar e sustentar esse leve fardo da vida.Algumas situações os fazem parar para analisar sua volta, situações que de fato são corriqueiras, são leves mas deixam um peso enorme em seus ombro,s e eles  o carregam ao longo do livro.Outras claro  são situações mais delicadas, que colocam um peso enorme na vida deles e de outras pessoas, mas que em algum momento trouxe o gosto bom e um momento de leveza para a vida dos personagens. Eles podiam consertar elas com apenas um leve movimento mas deixar para trás o que faz eles se sentirem vivos faria uma falta insustentável.

Mas essa frase contraditória pode não se explicar sozinha, acho que ” o peso insustentável” não é algo que se possa explicar, só se tem o entendimento disso quem um dia já passou por isso. Como a Sabina

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Sabina passa por esse peso após deixar de lado suas traições, era o que trazia uma leveza para sua vida, ela deixa sua válvula de escape de lado e sente o vazio ao seu redor que antes era preenchido pela excitação que suas traições lhe proporcionavam .

Todos nós temos uma válvula de escape que deixamos sempre a mão para quando precisarmos dela, é ela que nos faz ter animo para continuar vivendo e nos dá o gás para prosseguir com a vida. Seja uma pessoa, alguém, algo ou um sonho nosso escape trás um conforto muito grande, mas é verdade que não conhecemos ele por inteiro.

Se seu escape for o sonho de casar, como saberá se isso lhe trará um conforto se nunca fora casado antes? De fato não se tem como saber, mas isso que trás  a paz. O desconhecido não tem defeitos afinal ainda não olhamos ele de perto e por isso nos prendemos nele. E por mais que em nossa consciência sabemos que nada pode ser de total leveza, continuamos segurando nossa válvula seguindo essa missão. Aliás falando em missão Tomas, outro personagem do livro também sente o peso ao abandonar seu escape, porém Tomas tem a sabedoria de conseguir ultrapassar esse círculo. Na ultima página do livro Tomas fala que percebeu que não está preso a uma missão, que é livre e não está mais preso a essa ideia

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Como esses dois trechos me veio a cabeça que talvez essa sensação de insustentável leveza venha justamente de acharmos que temos uma missão, e no meio desse caminho achamos nossas válvulas de escape.

O peso de ter uma vida perfeita e bem sucedida, por exemplo, é insustentável, é um grande esforço sem uma meta definida, o que é ser bem sucedido? Ganhar bem? Ser milionário? Ser feliz? Tudo isso junto? Deus quanta coisa! Mas para muita gente essa é sua missão de sua vida, mas é claro que as pessoas são muito além de quanto tem em sua conta bancária.  Somos todo nosso conhecimento seja ele artístico, matemático, astrológico, conhecimento pessoal, experiências e sabedoria que nunca vão conseguir ser exprimidos em um número, mas muitas pessoas vão lutar a vida inteira por esse patamar, porém quando esse peso se tornar forte de mais vamos correr, correr para aquela válvula de escape e nos deleitar um pouco desses momentos onde esquecemos nossa missão até entendermos que não precisamos de uma, não temos uma.

Tomas consegue se livrar de sua ” missão ” e Sabina sente o vazio que era preenchido com suas traições sem saber definir e isso era um peso ou uma leveza. Um dia quem sabe vamos sentir esse peso e quem sabe também vamos nos desprender da nossa missão imaginária e conquistar nossa liberdade. A insustentável leveza do ser me deixou muito reflexiva sobre como fácil a vida poderia ser mas colocamos tanta expectativa e metas que a faz ficar pesada, o ser é tão leve! Embora eu queria muito,  é difícil de explicar essa insustentável leveza, acho que essa é a graça no fim, fica aqui mais um texto tentando entender a grande incógnita que é o ser.Fica aqui o peso insustentável de não conseguir explicar algo tão leve.

-Leticia Ferreira

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